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Psiquiatria agora é a palavra, ouçam bem, os folhetos azuis são o meio, mas só podem ser usados uma vez. Uma única vez, o cardeal é toda a academia, senão todos que tem um divã. Vá na igreja , marque hora com o padre e fale dos seus problemas: confesse todos os seus pecados. As bruxas não vão pra fogueira, ganham um camisa, mesmo que a força. Mais todos aqueles outros: aquele que crê em qualquer deus, aqueles que acham a existência sobrenatural; todos comparsas do não-real, assim por dizer. Prozaquiemos todos os infiéis, a palavra é clara, trata do real. Vamos curar todos esses psicóticos-delirantes-esquizofrêncos-compulsivos-obsessivos-depressivos, todos estes que confabulam do demônio da Loucura. Oremos, sobre o divã da Lucidez, das luzes imortais da sabedoria, para aqueles que perderam a sua, oremos e forcemos a nossa visão, pois é o caminho. Tome a pílula da lucidez, mas antes pegue seu folheto azul.
Escrito por Pretenso Poeta às 20h44
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O grande crime escrito no espelho
Um crime sem aparente solução.Das paredes cinzas dos meu quarto aos meus amigos fumantes que desaparecem; um chá Earl Grey e maquinamente ligo o computador; uma neblina percorre a cidade nesta manhã de sexta-feira, se pode dizer que a neblina percorre alguma coisa; simplesmente assenta por algum tempo, nem parece uma manhã em São Paulo, mais Campos de Jordão, talvez. Imprecisões a parte, prefiro me concentrar no meu trabalho.
Alguma coisa me incomoda, atrapalha minha produção, agora eu queria um cigarro: soltar uma fumaça e competir com a neblina que, aos poucos, vai indo embora da minha visão da janela. Seria bom ter um cigarro mesmo, combater a ansiedade com o tabaco e relaxar para poder voltar pro trabalho mais tranqüilo.
Enrolei a tarde toda, o vento substitui a neblina no segundo andar, um sol tímido se arrisca no horizonte. Tento resolver o que não sei o que é: ligo uma musica, vamos mexer com os sentimentos, remoer algumas partes e identificar o problema(se existe algum problema).
De uma faixa pra outra, de um álbum pra outro, apenas aumenta minha angústia de não saber o que acontece com a cabeça do João; dentre emanharados de pequenos problemas cotidianos, falsas promessas futuras e inquietações particulares usuais. Embora nenhum se apresente: ‘eu sou o culpado”, todos juram que sabe quem foi, entretanto, como são tantos não sabem dizer realmente quem foi; um aspecto particular da condição humana, assim espero. Tento interrogar um por um, contudo todos acusam diferentes culpados, penso que essa auto-análise vai longe, então aumento o volume da música.
Os poucos que me falam, se falam são pouco e impreciso; variantes “de ouvir falar...” e “me disseram...”, assim tentar a síntese, um resumo daqueles que se acha na Internet pronto: não aponta pra nada e morre em si mesmo, passei mais de duas horas ouvindo musica e remexendo nas coisas, talvez a musica seja o problema, não o “problema”, sim uma mera distração. Já é noite e os carros voltam pra casa, o tempo voa na solidão
Continuo no meu labirinto, podem dizer muitas coisas ruins sobre mim, mas João nunca desistiu de nada, um segredo para minha atual situação, perseverança, o triunfo da vontade, Pois devo continuar então, algumas portas fechadas, outras abertas, estas não me interessam. Que pena, percebo que não vai se fácil, mas continuo.
Um pouco de tristeza, achei o ponto, eu acho. Um pouco de tristeza, agora começa a identificação, dentro do gramado estava a vítima com cinzas de alguma substância azul sobre todo o corpo. Os telefones tocavam sem parar, tinha já alguma coisa para começar. A dica veio do informante de sempre, aquele que denuncia tudo, ele me encontrou, o velho Freddie, como sempre com seu capuz sobre o rosto num beco escuro. Disso sobre o corpo, a investigação era minha agora, o culpado seria achado, sem dúvida.
Todos azuis da noite subjugados pela luz da lua, as pessoas saiam para se divertir. Eu na sala com apenas um corpo, um problema sem identificar o culpado, imprecisões: parecia que tinha saído do labirinto, mas estranhamente a as coisas foram se enuviando; no corpo, nenhuma digital. O especialista da perícia Davi disse que o criminoso utilizou algum instrumento e executou a vítima com cinco ou seis golpes, nada mais. Davi também afirmou que tratava-se de um especialista, sem marcas de pegada, Dna, cabelo, nada. Só cobriu a vítima com azul de metileno, sua marca.
Aquilo sem solução enchia minha mente de inquietações, e daí resolvi tomar um banho quente. Depois do banho limpei o espelho do Box, era eu do outro lado, meio cheio de nuvens. As coisas ficavam mais claras, sentia como se eu tivesse matado, um assassino, o culpado por aquilo tudo, e daí o telefone toca:
“Alô, quem fala?”
“Fui eu que matei e deixei as coisas tristes.”
“Quem é?”
“Você sabe quem é, so pensa que não sabe, sou o culpado, o algoz”
“Me diga o seu nome!”
“São tantos nomes que nem sei onde começar a enumerá-los. Quando se olhar no espelho você verá o culpado, quando andar na rua verá vários possíveis culpados, não existe prisão para prender todos.”
“Vou solucionar, esse caso.”
“Tantos outros melhores que você passaram a vida inteira deles tentando, como vc, tão inferior e simplório conseguirá.”
“Sou teimoso.”
“Pode ser, mas talvez vc já tenha desistido, só não percebeu. A condição humana, meu caro, a condição humana. E querendo ou não vc é tão pateticamente humano como os outros, antes de descobrir, vc morrerá, como todos os outros”
“Não, eu sou um artista.”
“Por isso, sua condição é mais particular, você esta envolvido nisso e nem sabe. Me diz; quando vai assumir as coisas? Quando vai largar esse vício?”
“Do que vc está falando?”
“Assuma sua condição e seus riscos, meu caro. Deixe a musica tocar vc e pelo menos me entenderá”
(Ele desliga o telefone)
Apenas humano... ilogicamente humano, minha situação, mas ainda sim persistente. Sua voz tão parecida com a minha...Eu sinto um frio na minha espinha e “Kind Of Blue” terminou de tocar. Minha cabeça cheia de dúvidas, mais perguntas, findou como começara: uma neblina nos meus pensamentos.
Escrito por Pretenso Poeta às 18h40
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Foi enterrado quando as moscas defecaram no terreno baldio, dez dias de análise pra dizer se amava ou não. Se alguns dissessem sanidade ele diria: matei o cão, pergutaram pq:” oras conhece animal mais vadio, eu não”, não existe uma rúbrica de amor em contratos, em pactos, não existe.
Ele poderia ter amado, acalentado no colo, mas quem disse que consegueria? Duas pedradas, o outro tentou uma mordida, mas caiu, morreu ali mesmo, ele correu; misto de felicidade e angústia, era um homem tão bom dizia os vizinhos.
Três dias, a polícia na sua porta, ele abriu, disse “pois não”. A polícia disse que era culpado, ele alegou insanidade, mas na hora ninguém ouviu. No xadrez, esperava o seu julgamento, esperava ser culpado.
Disse que era necessário, setenciado a seis anos e multa de 66 reais, tudo tão previsível. Ele não se importava mais.
Seis anos depois, saiu da cadeia e perguntou pq foi setenciado a uma setença tão grande, ninguém lembrava daquele incidente, dizia que aquilo não tinha acontecido de verdade, era tudo da cabeça dele. E o cão não existia.
Haveria matado sua esposa, ele se surpreendeu, é o que as pessoas diziam, mas ele nunca foi casado
Escrito por Pretenso Poeta às 13h32
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Ele saiu, pegou seu casaco, estava frio.Atravessou; a porta pricipal, a prainha, a rua: tudo em direção ao ponto de ônibus. Esperando aquele ônibus que so iria passar daqui as três horas ou mais, nada mais além do ponto, uma lua tímida, ele mesmo e o frio. Olhou para um lado, olhou para outro, levantou e deu o grito mais alto que sua garganta pudesse suportar, sua única arma com silenciador: ninguém ouvia e ninguém se importava.
Mas foi justamente por isso que gritou, pra ele as coisas não deviam ser como eram: seus amigos cansados, sua namorada esquecida nas memórias, sozinho e nenhum luz pra acompanhar ele na escuridão, ou quase.
Quando ele decidiu fugir, atravessando a prainha, o poste acendou, juro, acendeu, ele parou. Um breve momento, um sorriso. Acalmou ele um pouco, era ridículo a situação, então se percebeu que deveria fazer direito, foi naquela hora, nada de coisas em cima do muro, tudo ou nada, era assim que ele queria depois de gritar, mesmo que ninguém tinha escutado, e não era, se reergueria talvez, mas é cedo demais falar sobre isso, já estava quase amanhecendo.
Escrito por Pretenso Poeta às 01h02
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Sinto um peso no meu peito, a falta de amor é tão grande assim? Quero ficar um período derrubando meus problemas sozinhos, eu sei, vai ser difícil, mas que seja assim, solitário. Indefinitivamente e voluntariamente, é bom deixar claro.
Juntar todas aquelas coisas numa caixa: minhas mentiras, toda aquelas frustações, meu sobrepeso, aquelas músicas ruins dos botecos sujos, minhas deficiências, os amores sujos e rápidos que se consumaram e acabaram na mesma velocidade, meus tênis sem sola que não sei porque ainda mantenho, meu medo da chuva. E aí dar uma última olhada, do alto mesmo mas ainda com uma certa compaixão daquilo tudo que vivi e convivi, as lembranças sublimes permanecerão. Riscar um fósforo e jogar na caixa, virar pra trás e, nunca voltar, nem dar um agrado de um soslaio, em relance. Mesmo quando tudo aquilo crepitar e findar em chamas, e até posso ouvir gritos, quero deixar a matéria para trás, posso conviver com as lembranças, mas nunca voltar atrás para recuperar nada.
Algum dia volto pra pegar as cinzas, talvez da caixa sobre um pedaço dela pra fazer um origami, quem sabe um tsuru, e sim, vou ensina-lo a voar.
Escrito por Pretenso Poeta às 14h56
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