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A ele; nem mais um dia
Mando um abraço pra vc lembrar como eu sou; mando um beijo pra esquecer aquele que se perdeu, quando não podemos nos tocar; se houvesse alguma oportunidade eu diria essas frases bonitas, copiadas de grandes escritores esquecidos há tanto tempo que nem mais lembro... a saudade? È tudo isso que vc tem a dizer depois de algum tempo; pensei em você com uma possibilidade, verdade; pensei algumas vezes, não minto, sinto saudades também: queria tomar um sorvete e conversar: relembrar as coisas boas, fazer o que fazíamos de melhor: conversar um com outro; gostava de falar, pois escutava tudo que eu tinha pra dizer e, algum momento o qual não lembro, arriscou dizer que eu era profundo; imediatamente encarei vc, olhos nos olhos, quis ver o quanto daquilo era verdade, o quanto tinha se revelado naquele momento( tinha se revelado tanto), logo você, tão receosa e cheia de espinhos e hiatos. Mas vc sorria.
Pontuava habilmente as conversas, deixava-me falar por horas e horas, de repente postulava um comentário; mostrando-se interessada na conversa: era isso, dirigia a direção do nosso diálogo, poucas vezes que falava bastante era sempre bem íntimo, dando corpo para sempre algo longo e gostoso, por isso queria voltar, voltar e fazer tudo de novo.
Lembra quando nos nós conhecemos? Chovia. Como sempre estava quieta, reflexiva; cheguei, puxei um papo aleatório dentre tantos daquelas famosas conversas de elevador. Falava, falava, falava, parecia um tagarela louco, como poderia prestar atenção tanta? Era coisa a se pensar; te digo em segredo agora: não costumo pensar nas coisas, fato: jogo todas as palavras pra fora da minha mente através da minha bocarra, enquanto vc guarda todas fundo, bem fundo em algum lugar do seu coração, é isso?
Você disse saudade, há muito tempo; vou te contar: era eu no início, logo depois de vc se machucar tanto, ferir todas as suas partes emotivas; cada proteção tua desguarnecida; nem lembro o que eu disse aquele dia e nem me importo, não culpo as drogas, o álcool ou o sexo(algumas horas antes) por cada palavra daquele dia dita próximo da fonte, nada disso. Eu queria machucar ele como ele fez com vc, mas com todas as feridas a mostra pra todos verem, um amigo me impediu, ainda bem, arremessei uma cadeira e junto estava voando o meu lado negro e alguns pensamentos, deixa estar.
Havia superado tudo aquilo (era o que eu pensara, mas como nos enganamos tanto?), convivia contigo pelo jeito doce e profundo, na época eu era bem vagabundo, verdade; trabalhava, mas nada muito sério ou que precisava ser, enquanto você só estudava, nos encontrávamos bastante, era bom, eu gostava daqueles momentos que não tínhamos combinados nada e passávamos alguns momentos juntos, vc até se aproximou de mim, daí veio o trabalho.
Bem vinda a vida adulta, cresceu um pouco, a vida tornara mais complexa, mais compromissos e riscos; não nos víamos com tanta freqüência. Um dia vc me sugeriu sairmos, combinarmos algo, saudade tua? Dizia isso. Saudade. Tentei algumas vezes: e-mail, não respondia; orkut, mensagens desconexas; MSN, offline; celular, fora de área. Ainda dizia, saudades muitas tinha. Veio suas falas(acho que mundo gira o meu redor) que a saudade se reduziria a cinza, ora, não era saudade nenhuma então.
Saudade, moça, saudade, te digo, não se reduz a nada. É aquela coisa imortal que habita o cerne seu, e quando menos espera, ela cresce, aparece e sua cabeça invade de momentos que já foram; vc sente tudo aquilo de novo. Saudade, repito, é o sentimento mais triste e bonito que vc pode ter: te olhei na sala de aula hoje, olhei no fundo dos seus olhos; vc sorriu de volta, toda aquela sensação gostosa voltou, com um gosto amargo do tempo, saudade, moça, é isso.
Escrito por Pretenso Poeta às 18h28
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Algumas ligações erradas e muitos enganos.
Esperei que fosse o telefone dela. Uma semana e alguns dias de expectativa; suspense, mais outro drama pessoal.Tomei coragem no sábado à noite, peguei meu celular e disquei o número, não teria como fugir agora. Era engano, não do telefone, era engano meu; pessoa errada, mas conhecida: percebi que queria que fosse ela e dentre todos aqueles momentos, poucos, ela percebesse alguma coisa de especial; quando eu fugi dela alegando falta de tempo, mesmo depois daquilo: um último suspiro de algo que poderia a vir a ser o certo.
Pensava num começo, ela via como despedida: um adeus mais elaborado. Foi o acaso que começou: esperava nada de interessante pra noite, é certo. Quinta e breja; encher a cara, talvez ver alguém disponível interessante, fumar um baseado e fazer o mínimo de social, pois ainda fazia faculdade de comunicação; um amigo de sociais apareceu, amigo antigo, rimos e tomamos brejas, como usual na festa, de repente ele some para dar lugar a uma amiga do colégio: lembramos e falamos de tempos antigos, das poucas coisas que temos em comum, de trabalho( parecido quando vc encontra alguém que não vê há tempos e não tem nenhuma real intimidade com a pessoa).
“eu estou de carro, posso te dar uma carona”
“Ok, deixa eu terminar esta breja e nós vamos embora”, disse pra moça
Peguei seu telefone(pela segunda ou décima vez, não lembro) e nos dirigimos ao seu carro cuja porta do passageiro não abre(espero que ela tenha arrumado isso, se não pode-se dizer que é charme ter um carro que abre as portas só de um lado)
Liguei, algumas semanas depois e somente porque consegui anotar o telefone dela num papel que consegui não perder.
“E aí como vc tah?”
“ah, eu to bem, e vc?”
“Bem, vc tah em casa? Posso te ligar aí, daqui a pouco...”
“Sim, eu estou. Pode ligar sim”, disse a moça num tom meio surpreso.
Peguei o telefone dela, anotado num papel que não consegui perder e tentei a primeira vez(ocupado), tentei mais uma vez(novamente ocupado), desencanei. Saí de casa pra comprar um refrigerante e umas brejas, voltei em dez minutos.
“Filho, uma menina te ligou?”
“Qual?”
“A essa é nova, ela tem um nome estranho... não lembro”
Momento correto pra pegar a latinha de breja, tomar uma gole e dar um sorriso estanque: isso daria um bom momento em qualquer filme ou livro, infelizmente era parte da minha recente vida cuja rota era sempre esburacada e meio escura, ainda que sempre uma rodovia de alta velocidade.
Ela desviava dos carros(dirigia em alta velocidade) enquanto eu fazia ela soltar alguns sorrisos durante a viagem: não sabia que era tão engraçado quando ficava um pouco nervoso; contou um pouco da sua vida atual e eu contava um pouco da minha, recheando dos momentos engraçados e de bom humor, eu reitero: estava ali pelo acaso e estava me divertindo, reencontrei um antigo amigo, estava indo pra casa de carro e me aproximara de uma pessoa que sempre fui distante: pra um dia cinzento, as coisa ia bem, andava a passos galantes. Paramos o carro, na verdade foi ela que parou, alguns segundos de silêncio.
Alguns segundos o telefone tocava, tocava.Cai da cama, atendi, era ela.
“Como vc tah?(sempre sorridente essa menina)”
“To bem. E ai, vamos fazer alguma coisa hj?”
“Hoje não dá, estou te ligando de um orelhão, vi sua mensagem, hoje não posso assistir uma peça. Vou tentar convencer uma amiga a não ir sozinha num jogo do Corinthians, pois ela quer ir sozinha num jogo sozinha ainda sendo um clássico”
“Vai lá. A gente se fala depois. Se cuida.”
“Vc também, beijo”
Através do vidro embaçado do carro, dentre todas as divergências daquela estação de metrô (O metrô Pca. da Árvore tem uma certa representatividade da minha vida, algo como um grande personagem secundário que quando aparece diz algo de importante). Uma madrugada fria onde nos entregamos ao abraço, ao carinho da pessoa querida e a um bom chocolate quente. Nada disso eu tive naquele carro, nada aconteceu. Depois do segundos de silêncio.
“Será que tem ônibus esse horário?”
“Fica sussa que o negreiro passa de hora em hora, sem treta.”
“Vou esperar o ônibus com vc.”
“Ok, vc que sabe.”
Eu disse que troquei de celular? O motivo: meu antigo celular parou de fazer chamadas e tudo mais, eu tava com o telefone dela no meu antigo celular, no momento eu estava trampando, demos uma pausa na filmagem, resolvi ligar pra ela, fazia algumas semanas já, poucas mas semanas já haviam passado. Peguei meu celular, no entanto, no momento que resolvo discar ela me liga. Tento atender, com antigo celular, contudo ele começa a não funcionar, não consigo ouvir nada do que ela diz, azar, esperei outra ligação dela e nada.
Na noite, o ônibus teimava em não passar, estava frio, estávamos no auge do inverno; madrugada, numa parte alta da cidade, numa grande avenida: corredor de vento. Abracei ela e continuamos a conversar, falei pra ela ficar de olho no ônibus, ele se aproximava, dava pra ver de longe, eu aproximei meus lábios aos dela: um beijo, o ônibus vai embora, parte minha vai embora para o Jabaquara, parte minha fica: naquele corpo, naquele abraço, naquele beijo, naquele adeus.
Mas pode ser um engano.
Escrito por Pretenso Poeta às 02h14
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