Ciclos se encerram, outros logo aparecem; com imprecisão e incerteza me deixo definir. Onde passo as idéias ficam, digo em off, através da minha voz interior, que mudei durante o processo.
Hoje lembrei que tenho uma mesma blusa já há dez anos, exatamente dez anos; toda costura, remendada; sua aparência, definitivamente não é uma das mais apresentáveis. Mas a forma, o jeito dela vestir me agrada, muito, verdade. Olho o estado da blusa, faz tempo que não me visto assim, bem desleixado, pelo menos uns meses; barba a fazer, cabelo começa a se rebelar. Posso ver o porquê da blusa estar em sintonia com o momento.
Lembrei de uma garota, tudo mais que sentira, ela estava arrumando suas coisas no armário, nem a reconheci, ela, me identificou de cara, como posso afirmar que mudei tanto, se continuo vestindo as mesmas roupas e dizendo as mesmas besteiras?
Há mudança numa repetição? A água que corre num rio nunca é a mesma?
Escrito por Pretenso Poeta às 12h50
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