Acordara inquieto. Sonho de velhas lembranças que uma vez ou outra voltam e me assombram. Assombram meio que uma maré que sem perceber já cobriu teus pés repetidas vezes, mas também fugiu repetidas vezes iguais. Não tivemos capacidade de cuidar daquilo: uma semente que nos foi dada. Nunca conversamos com ela; ela nunca deu frutos; nem ao menos nos preocupávamos em dar água; em cuidar da pobre coitada dia a dia. Não eramos capazes, nem maduros para tal empreitada. Mas contrariando todas as possibilidades, ela cresceu; não como esperávamos, cresceu individualmente em cada um sem se perceber, sem deixar sua presença marcante ser tão notada. Poderiámos ter culpado o tempo? Sim. Haveria outros motivos mais se parássemos para pensar, motivos particulares que se justificam pela vida que escolhemos. Lembro de um certa história: tudo aquilo que nasce independente, sem auxílio, sem genitor, torna-se perigoso. Agora não lembro se li, se acabei de inventar, mas sei disso como a certeza de um sol cada dia. E como tal, aquela planta não era algo que nos faria bem... suas flores cheiravam a coração arrancado, seu caule duvidoso e incerto. O que ela poderia colher do mundo exterior senão ódio, ressentimento e indeferença?Não sei.
Escrito por Pretenso Poeta às 07h23
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