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Reflexos Quebrados


Acordara inquieto. Sonho de velhas lembranças que uma vez ou outra voltam e me assombram. Assombram meio que uma maré que sem perceber já cobriu teus pés repetidas vezes, mas também fugiu repetidas vezes iguais.

Não tivemos capacidade de cuidar daquilo: uma semente que nos foi dada. Nunca conversamos com ela; ela nunca deu frutos; nem ao menos nos preocupávamos em dar água; em cuidar da pobre coitada dia a dia. Não eramos capazes, nem maduros para tal empreitada.

Mas contrariando todas as possibilidades, ela cresceu; não como esperávamos, cresceu individualmente em cada um sem se perceber, sem deixar sua presença marcante ser tão notada. Poderiámos ter culpado o tempo? Sim. Haveria outros motivos mais se parássemos para pensar, motivos particulares que se justificam pela vida que escolhemos. Lembro de um certa história: tudo aquilo que nasce independente, sem auxílio, sem genitor, torna-se perigoso. Agora não lembro se li, se acabei de inventar, mas sei disso como a certeza de um sol cada dia. E como tal, aquela planta não era algo que nos faria bem... suas flores cheiravam a coração arrancado, seu caule duvidoso e incerto. O que ela poderia colher do mundo exterior senão ódio, ressentimento e indeferença?Não sei.



Escrito por Pretenso Poeta às 07h23
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Afinal, definir certas coisas tão grandes e importantes, nas melhores hipóteses, serão tracejadas por banalidades corriqueiras. Corremos como se estívesemos percorrendo o Louvre em tempo recorde, os quatro, sem perceber o momento. Quando as portas do metrô fecharam, todos em silêncio, entreolharam-se, um pequeno sorriso em cada rosto.  

"Seria legal se nos encontrássemos as vezes", minha cabeça ecoa



Escrito por Pretenso Poeta às 12h38
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Sem nenhuma crônica da Guerra Particular...

A simplicidade de qualquer resolução quando tudo está calmo;  um mar brando sem possibilidade de ressaca, revoltas, revoluções... As pessoas sorriem como se nada tivesse mudado; a rotina com sua mesma catraca branda sem a preocupação de se atrasar. Uma festa no trabalho, sorrisos e mais vindoura produtividade?

Gostaria, queria, seria legal, um sonho: são promessas pra depois de algum almoço, poderia ser este, o próximo, tantos outros futuros...será, quando o almoço for bom? Quando meus colegas estiverem mais felizes? A felicidade alheia, depois partilhar aspirações? Ou deixo pra depois, num momento triste quando tudo estiver revirado? Quando as pessoas argumentarem, esbravejarem tão alto e aí libero minhas idéias bestas como se fosse um piada: todos se descontraem e continuo... num mar calmo como se nada tivesse acontecido, nem mesmo dito...

 



Escrito por Pretenso Poeta às 01h03
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O voo inusitado da aranha... da sua segura teia... decola; mosca com a boca aberta(já esperava a morte, placidamente)

mais alto impossível, mais alto não haveria mais voo, verdadeira decolagem espacial seria.

Duas semanas depois a aranha voltou

Com souvenir e grávida



Escrito por Pretenso Poeta às 18h10
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as pernas das mulheres

percorrem minha cabeça

 pra onde estão indo tão apressadas?

correr do quê?

Pior,

fugir pra que lugar?

logo

num deserto de idéias...



Escrito por Pretenso Poeta às 02h01
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Ciclos se encerram, outros logo aparecem; com imprecisão e incerteza me deixo definir. Onde passo as idéias ficam, digo em off, através da minha voz interior, que mudei durante o processo.

Hoje lembrei que tenho uma mesma blusa já há dez anos, exatamente dez anos; toda costura, remendada; sua aparência, definitivamente não é uma das mais apresentáveis. Mas a forma, o jeito dela vestir me agrada, muito, verdade. Olho o estado da blusa, faz tempo que não me visto assim, bem desleixado, pelo menos uns meses; barba a fazer, cabelo começa a se rebelar. Posso ver o porquê da blusa estar em sintonia com o momento.

Lembrei de uma garota, tudo mais que sentira, ela estava arrumando suas coisas no armário, nem a reconheci, ela, me identificou de cara, como posso afirmar que mudei tanto, se continuo vestindo as mesmas roupas e dizendo as mesmas besteiras?

Há mudança numa repetição? A água que corre num rio nunca é a mesma?



Escrito por Pretenso Poeta às 12h50
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Ouvir a música dos titãs e perceber que o tempo passa, é óbvio. Não era minha premissa aqui, perceber logo de uma maneira; se fosse, assim o texto já estaria acabado sem ao menos começar. Agora perceber como, onde e porquê meus erros findaram na minha atual situação, com isso não culpar mais os outros, seja a real lucidez posta.

Quando houver de maneira imprevista o acaso, estarei lá: presente, um característica minha, minha trademark com chances a copyrigths no mercado de varejo, deixo para Cronos o atacado, bem mudador, aqui fica meu intento: uma parte desse acaso, um pequeno raio que tomo de ti.

Escrito por Pretenso Poeta às 05h31
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Quando eu começo eu não quero parar, voltar para aquele tempo dos rolês baratos, amigos loucos e conversões perigosas; direita vamos agora! Não. não quero que acabe, se deixa a boca aberta expelindo fumaça da velocidade, caximbo da velocidade.

Paro? Parece que não, a luz se me cega até então, os olhos baixos a mão acoberta e sigo em frente, aonde?

Rumo em direção certa? Local definido, quem disse? Vamos onde chegar, onde as solas aguentarem, que a gasolina acabe, até empurro o carro.

Pode ser sem pressa... respire, acabe sua bebida gelada, olhe para cada um dos lados, fecha os olhos e finja que sinta, sem os olhos assim vê um pouco melhor?

Tantas referências, placas, mapas, gps e nada de achar um caminho, mas interessa tanto? Chegar até o final? tà eu deixo, siga a direita, depois a direita, por fim na próxima direita, ande e caminhe... outra opção: esquerda três vezes, quando chegar te escrevo um carta te dizendo aonde foste com tamanha direção certa?

Escrito por Pretenso Poeta às 06h16
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De uma maneira absurda recomeço, repito de forma teimosa uma tentativa antiga de continuidade. Afinal, se vivo porque não escrevo? Pobres incautos que tropeçarem aqui, cairam no truque do vigário:

It's Sparta!



Escrito por Pretenso Poeta às 14h58
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Se faz uma escolha e deixa aquelas todas pra trás, é simples. Você decide por aquilo e o resto do mundo que se dane, sem vc, eh claro. Depois de puxar o saco de 30 chefes e bajular outros ciquenta intemediários, vc está pronto. Quinze anos sentando atrás da mesma mesa de mogno europeu e  encima da cadeira de rodinhas; agora vc pode se masturbar na sua mesa, os funcionário vão simplesmente:

“Senhor, onde está  a papelada?”

Pode continuar com o onanismo, merece, lógico, quantas cabeças pisou e quantas vezes vc foi capacho, vc é realmente melhor que aqueles que quiseram o mais fácil, o cotidiano.

Diga isso pra aquela moça, aquela com os três filhos e 36 meses da geladeira pra pagar;pro mendigo que encara, de frente, o frio diário da cidade paulistana;diga isso pra todas as pessoas que passam fome, escolher fica fácil de barriga cheia: vc pode esco,her, se mastubar três vezes e nada te interfere, nem se alguém estiver te vendo. Você até gosta que as pessoa vejam vc transando, seja sozinho ou drogas, não importa. Vc quer mostra aquele vermelho perolado da tua caragem, o teu pau de 200 quilates que sua mulher segura com a boca eh sempre bom. Você conquistou tudo aquilo com teu trabalho, é justo, não é? Você batalhou e consegui tudo aquilo que almejara. Pode levantar a taça da vitória, ganhou por goleado, com direito a gol de placa. Se aposenta na empresa, ganha aposentadoriaintegral com direito a um relógio, ele marcará tuas últimas horas, aquelas todas só tuas; mas no final é bom, oras, vc decidiu sua vida, não eh mesmo?Escolheu...agora jogue moeda, so espero,que  te favorece, senão...



Escrito por Pretenso Poeta às 02h30
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Dois diálogos e fiquei sem entender nada. Duas conversas que me deixaram mais confuso, saber que faz parte daquelas confusões amorosas juvenis, pois joviais, ora confusões maduras resultam em sangue e divórcio; estas só impossibilidades e desencontros. As pessoas se mal resolvem, de uma forma ou outra, vc acaba entrando no meio delas, sem saber, por acidente.

Enquanto uma mulher se esquiva do amigo ela pensa no ex-rolo, vc talvez esteja olhando para anfitriã que troca olhares suaves com vc, mas quem vc abraça e quase beija( um quase muito pouco, lógico)? A sua amiga que não gosta de coisas mal resolvidas, ainda bem que vc não tenta nada, muito menos ela, seria muito mais confusão e o que ambos queriam era descontar no alcóol, apenas.

Na festa vc sabe que não vai encontrar o amor da sua vida na fila do banheiro, deixa de lado, se perde, seja na dança ou na bebida, tanto faz. Se esquiva de tudo, esquece o que fez, os que deixou de fazer, abre os braços e se entrega ao infinito: algo próximo de um devaneio, pelo menos algo similar.

As palavras ganham força, pela manhã; a ressaca se faz, vc sai, levanta da cama onde está sua acompanhante, vai em direção a varanda, finge fumar um cigarro, olha a cidade se movimentando pela manhã:

"o que ela quis dizer com aquilo?"



Escrito por Pretenso Poeta às 16h16
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Re-recomeçar

Vamos lá,tentar mais uma vez, é, um recomeço. Quantas e tantas vezes não tentei surgir com ideías brilhantes e inovodaras para este espaço? E, digo, quase todas resultaram num mesmo desfecho: fracasso.

Recomeçar parece sempre mais fácil; abandonar tudo aquilo constrúido, trabalho de dias, semana, meses, e quem sabe anos; pegar todo um projeto em andamento e zerar o velocímetro. Não é parar, frear pra continuar da onde eu estava. Falo da Gênese, a fênix criativa ou qualquer outra ressurreição mítica como exemplo de metáfora seria sufuciente para ilustrar o fato.

Todos aqueles caminhos trilhados, serviram para alguma coisa? Quando a gente recomeça pensa qual daquelas veredas todas tortas, portanto erradas, serviram e tiveram algum ganho pessoal.Se não, algum ganho qualquer. Pois marcamos o tempo, subjulgando-o através de uma vigília constante e parece o quanto antes n´so resolvermos melhor: quem chegar primeiro no ponto mais alto, melhor se tiver pisado em muitas cabeças.

Sou ambicioso igual a maioria das pessoas, estes recomeços, além de um imcapacidade minha de ver um desfecho em qualquer situação, além de negar a derrota, seria uma medo de galgar posições através das outras pessoas? Não sou tão bonzinho assim, fico com imcopetência de terminar qualquer projeto, parece mais plausível

Como sou teimoso, tentarei de novo.



Escrito por Pretenso Poeta às 07h36
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A embalagem e eu, uma história insólita: abriria a capinha de cd e colocaria a mídia no meu microsystem, palavras no imperfeito, ora; quem disse que o plástico protetor ia ceder? Mais uma tentativa, nada. Outras ferramentas eram necessárias, pelo menos uma e bem afiada; abro a gaveta e pego uma faca, não falei que estava na cozinha? Vamos lá... e parece que nada de abrir a maldita proteção: consigo apenas arranhar a capa e uns pequenos rasgos no plástico, grande algoz, a batalha se estende: dentes, duas mãos, unhas arranhando plásticos, posição ninja e nada daquela porcaria ceder.

 

Começo a suar, de raiva ou por causa do esforço, não sei, pode ser os dois.

 

Jogo no chão o álbum , ele quebra, mas de uma forma bizarra mantêm a proteção intacta. Eu de joelhos amaldiçoando o criador daquele invólucro indestrutível.

 

Pego um explosivo, armo uma barricada. Embalagem no chão, jogo o explosivo, corro e pulo, escoro-me na barricada na margem oposta do conjugado explosivo/cd.

 

Sorrio e volto ao planeta Terra, fumaça e cheiro de queimado, esqueci o assado no forno: adeus jantar romântico com música da Sade, quem sabe se o algum chinês ainda não está aberto?



Escrito por Pretenso Poeta às 22h41
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Dois pensamentos para o ano novo... tenho como todo mundo promessas para o ano vindouro:mudar tanto depois da virada, me acabar bebendo farreando o máximo possível e por que não o impossível também? Rir, jogar os braços para o alto e curtir, como aqueles estrangeiros no carnaval: mesmo não entendendo nada, ainda assim curtir. Depois vem a ressaca, as vagas lembranças de promessa e tudo deve voltar ao normal, pelo menos até o carnaval, talvez seja por isso que nunca realizo nada, de  um feriado para outro não dá tempo para nada, que coisa.

Escrito por Pretenso Poeta às 18h53
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Penso no mundo em que não vivi, nas coisas que não aconteceram; sonhador ao extremo, sempre quero o mundo no alcance das minhas mãos, se possível e sempre, quando necessário. Gosto de ter oportunidades:  botão de emergência ou uma célula de fuga, se necessário para ocasiões de emergência. E afinal pra que todo esse medo, esse receio? Não preciso, acho. é, não preciso ter medo das coisas acho, medo  me devora ao poucos e pelas beradas da minha alma. Medo, isso que quero sair e deixar pra trás e nem olhar, encarar como uma escolha, assim pra nunca mais voltar o pescoço para trás, deixar mesmo; se nesessário quase morto,esquecido, semi-vivo se arrastando: o medo pedindo piedade pela sua morte, quero extripar todo esse conceito de mim, aé se restar algo ainda desse temor, se restar algo, quero que fique quieto no seu canto esperando passar muito tempo pra ele dizer alguma coisa.  se for falar espero que tenha cautela, muita cautela

Escrito por Pretenso Poeta às 17h37
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IV- Mais outra daquelas poesias que versam sobre o labor

                                                  ou

       Desgastando a metalinguagem, se existe

 

Queria escrever uma boa poesia

É uma poesia....

Daquelas memoráveis

                                  de arrasar corações

                                                                 tripas

                                                                             e rins, só o estômago passando vivo, com pequenas ulcerações.

Daquelas com calafrio na espinha,

                                                        parecidas com as quadras de crianças

e das cantigas de ninar

                                    que as crianças só ouvem

                                                                             agora

                                                                                        em sonhos

                                                                                                          achando todas tão assustadoras, mas eram tão assustadoras?

Daquelas sublimes, o respiro do Bandeira

Daquelas precisas, a mira laser de Cabral

Tudo isso numa só poesia

Como faca só lamina com alcalóide á vontade

                                                                          e quem sabe

                                                                                                uma náusea brota de plano de fundo?

 

Mas o meu sentimento é fraco

Tudo que me perpassa parece merda

Não sei mais filtrar nenhum conteúdo

Ainda poderiar tentar,

um início

                começar

                               a escrever

Pretender

A tal poesia

Com um pequeno trecho:

“A leveza de dois barris de petróleo numa ladeira íngrime”

(pode ser um começo)

                                                                                                        



Escrito por Pretenso Poeta às 14h09
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A Cabral, poeta do sertão, que também era João

 

 I-Eu e eu mesmo

 

Eu queria

                num olhar

Me ver quando me olho

                num espelho

 

Sei que um homem se vê

                 nas suas coisas

enquanto pensa nas pernas

                 com saias vermelhas

 

Outro

          um amigo

                           tira fotos

                                          com a mente

Num clique

Desfaz

Refaz

Enquadra a si mesmo

 

Sua miopia como o foco

E nessas horas percebo, nem penso

Sem começo?

Como vou me orgulhar?

 

Nem penso mesmo

Não num espelho

Um homem meu, eu como homem(todo feito)

 Aí... sorriria:

 

“Tem Um cigarro?”

“Mas, João,vc não fuma”

“É... as coisas mudam, eu acho”

 

II- Enquanto no Front

 

As mulheres

                         com flores  na cabeça

                                                                         choram

Custa

                 um dinheiro aparecer

                                                               cheio de homens?



Escrito por Pretenso Poeta às 10h21
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III- Enquanto no Front, minha cabeça e o mundo

 

A loucura existe, penso,

Maculando os pobres desesperados

                                                                               em pontas de lanças imaginárias.

Em celas

                    maiores que o espaço.

Em pílulas

                     coloridas como balas

                      rápidas e mortais...

 

(Ao mesmo tempo) um parvo

                                                           no alto do prédio,

este, mais alto edifício da baixa cidade.

 

O parvo

                 parece um cachorro.

As plumas depostas desse cachorro.

 

Cachorro

                 que num olhar de flecha

                                                                 fixa sua meta

,entre ele e objetivo,

                                        uma barreira:

para o cão,

                      uma parede de vidro, uma janela;

para o homem,

                       alguns cinqüenta andares.

 

(Tudo é tão rápido!)

Homem corre

                           com o frango na boca

                           e pedaços de vidro pelo corpo .

O cachorro

                         ,num balé bizarro,

                         salta os cinqüenta andares.

 

O homem desvia dos carros

                                                      ainda com o frango.

 Mas o padeiro

                             Com sua roupa azul

                                                        logo atrás.

 

O homem tal como o cão.

Sofre quando se reencontra

                                                       com a realidade.

 

O chão morada de ambos.

O chão duro do asfalto.

(me dá um cigarro)



Escrito por Pretenso Poeta às 10h20
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Para João, o pior dos mal-amados,





gostaria de escrever uma carta: te entendo; não digo isso só pelo nome que compartilhamos: na situação que me encontro sou o último. A minha frente há várias pessoas e nenhuma atrás,estou numa fila de banco pra pagar umas contas, sou o último da fila, espero. Parece que a caixa não vai me atender, certeza. Fechará o banco com a falsa certeza dada pela atendente a mim que serei contemplado e pagarei as contas. O primeiro da fila, gosto de ver sua cara ansiosa; busca os números da sua senha nos visores eletrônicos: um pouco de inveja gorda, salta da minha boca: dificilmente fui esse em algum momento da minha vida. Aqui, sempre numa situação metáforica parecida,de trás, eu vi tudo acontecer e nada fiz. Guardei tudo para um futuro monólogo, qual direi sem palco e sem nenhum fantasma clamando sangue na Dinamarca. E, sem falsa modéstia, gostaria que fosse um bardo que escrevesse sobre minha vida onde nada passasse, so se resumisse afinal, de letras impressas, tudo e todos os nuances, como também essa enorme fila onde espero algum dia ser atendido.Sim, a totalidade dos meus momentos não passasse de meras conjecturas ficcionais, minha vida apenas como um livro de lombada quadrada.



Não seria muito grosso, o tal livro. Por volta de umas 230 páginas daria mais que conta. E sei; o inglês não costuma se delongar muito nas suas dramaturgias, além disso pediria pra ele para ser sucinto, depois diria o seguinte:“ quero ver vc arranjar algum mote pra alguma coisa sem banho de sangue no final”. Várias tiragens, somente publicado em livro de bolso, quero atingir as massas; aí, percebo que as pessoas da fila do banco estão lendo o meu livro: algumas devoram ferozmente página a página, capítulo a capítulo na procura do final surpreendente, no climax majestoso: a grande catarse como meio de expiação dos próprios pecados.



As pessoas teriam um pouco de ansiedade, além do suor usual, entre as várias páginas lidas; muitas sobreos mesmos temas: reclamando do mundo e de mim mesmo, sobretudo. Parece que a vida de um idiota não tem muita graça sem um melodrama ou um mote pra vingança, é fato.



E pra finalizar, num lance oportuno, os leitores começam a largar mão do livor, próximo do final,deixando as últimas páginas para ler num momento distante, pois já haveria capturado a atenção e roubado um pouco os corações dos leitores com minhas reclamações insistentes, agora que o final se aproximara, e eles suados e ansiosos, não quisessem ver o fim do livro, pois já tinham gostado, se sentiam dentro daquele emaranhado de problemas e dúvidas pessoais; aí, já era tarde, e vcs, leitores, acreditariam que eu, tão mal-amado assim, mereceria até um abraço se fosse encontrado na rua num dia de tempo ameno.



Mas o calor impera e as coisas dificilmente mudam, a fila até poderia andar um pouco, um movimento lento e gorduroso que vai deixando máculas(gotículas) para cada um que vai sendo substituído e para outro contemplado. Sou ainda o último e posso não ser atendido, como não disse a atendente do banco. É... a fila anda, e algumas pessoas, que não aguentaram a ansiedade ou o calor, tentam confirmar as últimas páginas: a caixa do banco fala que não poderá me atender, alegando dor de cabeça: sorrio e saio com a usual cabeça baixa; tento, ao levantar os olhos além do horizonte, ver uma pequena nuvem cinzenta acima somente da minha cabeça, ledo engano. O tempo está claro; as pessoas, felizes; o mundo, em harmonia. Fiquei sem clima para o monólogo final e um possível suicídio; e mais, lembro que sou idiota, e mais ainda, covarde. As pessoas, decepcionadas com o desfecho do capítulo final onde nada acontece, começam a fechar o volume quando percebem algumas letras no final, isoladas, com o seguinte dizeres:






“Seria, bem mais interessante, se a caixa do banco chamasse Tereza”


William S.



Abraços,


do umbigo do universo,


João



Escrito por Pretenso Poeta às 04h51
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A ele; nem mais um dia

 

 

Mando um abraço pra vc lembrar como eu sou; mando um beijo pra esquecer aquele que se perdeu, quando não podemos nos tocar; se houvesse alguma oportunidade eu diria essas frases bonitas, copiadas de grandes escritores esquecidos há tanto tempo que nem mais lembro... a saudade? È tudo isso que vc tem a dizer depois de algum tempo; pensei em você com uma possibilidade, verdade; pensei algumas vezes, não minto, sinto saudades também: queria tomar um sorvete e conversar: relembrar as coisas boas, fazer o que fazíamos de melhor: conversar um com outro; gostava de falar, pois escutava tudo que eu tinha pra dizer e, algum momento o qual não lembro, arriscou dizer que eu era profundo; imediatamente encarei vc, olhos nos olhos, quis ver o quanto daquilo era verdade, o quanto tinha se revelado naquele momento( tinha se revelado tanto), logo você, tão receosa e cheia de espinhos e hiatos. Mas vc sorria.

 

Pontuava habilmente as conversas, deixava-me falar por horas e horas, de repente postulava um comentário; mostrando-se interessada na conversa: era isso, dirigia a direção do nosso diálogo, poucas vezes que falava bastante era sempre bem íntimo, dando corpo para sempre algo longo e gostoso, por isso queria voltar, voltar e fazer tudo de novo.

 

Lembra quando nos nós conhecemos? Chovia. Como sempre estava quieta, reflexiva; cheguei, puxei um papo aleatório dentre tantos daquelas famosas conversas de elevador. Falava, falava, falava, parecia um tagarela louco, como poderia  prestar atenção tanta? Era coisa a se pensar; te digo em segredo agora: não costumo pensar nas coisas, fato: jogo todas as palavras pra fora da minha mente através da minha bocarra, enquanto vc guarda todas fundo, bem fundo em algum lugar do seu coração, é isso?

 

Você disse saudade, há muito tempo; vou te contar: era eu no início, logo depois de vc se machucar tanto, ferir todas as suas partes emotivas; cada proteção tua desguarnecida; nem lembro o que eu disse aquele dia e nem me importo, não culpo as drogas, o álcool ou o sexo(algumas horas antes) por cada palavra daquele dia dita próximo da fonte, nada disso. Eu queria machucar ele como ele fez com vc, mas com todas as feridas a mostra pra todos verem, um amigo me impediu, ainda bem, arremessei uma cadeira  e junto estava voando o meu lado negro e alguns pensamentos, deixa estar.

 

Havia superado tudo aquilo (era o que eu pensara, mas como nos enganamos tanto?), convivia contigo pelo jeito doce e profundo, na época eu era bem vagabundo, verdade; trabalhava, mas nada muito sério ou que precisava ser, enquanto você só estudava, nos encontrávamos bastante, era bom, eu gostava daqueles momentos que não tínhamos combinados nada e passávamos alguns momentos juntos, vc até se aproximou de mim, daí veio o trabalho.

 

Bem vinda a vida adulta, cresceu um pouco, a vida tornara mais complexa, mais compromissos e riscos; não nos víamos com tanta freqüência. Um dia vc me sugeriu sairmos, combinarmos algo, saudade tua? Dizia isso. Saudade. Tentei algumas vezes: e-mail, não respondia; orkut, mensagens desconexas; MSN, offline; celular, fora de área. Ainda dizia, saudades muitas tinha. Veio suas falas(acho que mundo gira o meu redor) que a saudade se reduziria a cinza, ora, não era saudade nenhuma então.

 

Saudade, moça, saudade, te digo, não se reduz a nada. É aquela coisa imortal que habita o cerne seu, e quando menos espera, ela cresce, aparece e sua cabeça invade de momentos que já foram; vc sente tudo aquilo de novo. Saudade, repito, é o sentimento mais triste e bonito que vc pode ter: te olhei na sala de aula hoje, olhei no fundo dos seus olhos; vc sorriu de volta, toda aquela sensação gostosa voltou, com um gosto amargo do tempo, saudade, moça, é isso.



Escrito por Pretenso Poeta às 18h28
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